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domingo, 13 de janeiro de 2019

Pernas!



O bonde passa Vejo o mundo "cheio de pernas
Pernas brancas pretas amarelas
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração
Porém meus olhos
Não perguntam nada"

[trecho do "Poema de  sete faces", Carlos Drummond de Andrade]

sábado, 23 de janeiro de 2016

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Pelo amor de Adriana (sobre minhas primeiras leituras)

Eu tinha 10 anos, cursava a 5ª série, isso há muito tempo...  foi em 1989, quando minha professora de português, uma senhora japonesa (não me lembro o nome, uma pena), passou-nos a leitura de alguns livros, o meu era "Pelo amor de Adriana", não me lembrava do nome do autor (agora pesquisando no Google: Ricardo Ramos). Lembrava-me da capa verde e o casal feliz desenhado nela (Editora Scipione, Série Diálogo, edição de 1988, vejam aí).


Era uma linda história de amor, de jovens vestibulandos (quando eu nem sabia do que se tratava o tal do vestibular). Torci junto com outros personagens, amigos dos protagonistas, Adriana e Luís Antônio, para que o casal ficasse juntos, que se amasse para sempre. Só me lembrava disto.
A história se passava no Residencial Vila Nova, Jd. Peri-Peri, bairro vizinho ao meu, aqui no Butantã, achei bem legal, não sabia que anos mais tarde moraria tão perto de onde aconteceu minha "primeira" história de amor.
Também não posso deixar de me mencionar meu amor aos gibis; antes dos livros, minha infância fora marcada pela Turma da Mônica, tinha a coleção da turminha do Maurício de Sousa, que me foi tomada emprestada e nunca mais devolvida. 
Me considero uma apaixonada por leitura/literatura. Assim, busco incentivar amigos, sobrinhos, alunos a lerem, pois em um dado momento é certo de que algum livro abrirá portas para outros tantos. Essa é a ideia!

Bom, aqui estão sobre minhas primeiras leituras, ficarei feliz se me contar um pouco das suas.

domingo, 3 de agosto de 2014

Razão filosófica do chapéu

Mariana! Mariana! Não tem outra coisa com que implicar?
Há uma razão filosófica para se usar um chapéu, minha cara.


"— A escolha do chapéu não é uma ação indiferente, como você pode supor; é regida por um princípio metafísico. Não cuide que quem compra um chapéu exerce uma ação voluntária e livre; a verdade é que obedece a um determinismo obscuro. A ilusão da liberdade existe arraigada nos compradores, e é mantida pelos chapeleiros que, ao verem um freguês ensaiar trinta ou quarenta chapéus, e sair sem comprar nenhum, imaginam que ele está procurando livremente uma combinação elegante. O princípio metafísico é este: —
o chapéu é a integração do homem, um prolongamento da cabeça, um complemento decretado ab eterno*; ninguém o pode trocar sem mutilação. E uma questão profunda que ainda não ocorreu a ninguém. Os sábios têm estudado tudo desde o astro até o verme, ou, para exemplificar bibliograficamente, desde Laplace**... Você nunca leu Laplace? desde Laplace e a Mecânica Celeste até Darwin e o seu curioso livro das Minhocas, e, entretanto, não se lembraram ainda de parar diante do chapéu e estudá-lo por todos os lados. Ninguém advertiu que há uma metafísica do chapéu. Talvez eu escreva uma memória a êste (sic) respeito.
São nove horas e três quartos; não tenho tempo de dizer mais nada; mas você reflita consigo, e verá... Quem sabe? pode ser até que nem mesmo o chapéu seja complemento do homem, mas o homem do chapéu..."

*desde sempre
**Pierre-Simon Laplace (1749-1827), matemático e astrônomo francês.
[fala de Conrado Seabra a sua esposa Mariana, in "Capítulo dos chapéus",  Contos, Machado de Assis (5ªed., São Paulo: Cultrix, 1968, pp. 115-128)]

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Sobre "O amante", de Annaud

Adorei o filme "O amante"*, apesar de não concordar com o título em português, já que na maior parte das vezes o termo "amante" é mais dado ao sentido de pessoa que mantém relação ilícita com outra; que não é o caso aqui.

"O amante" (L´amant / The lover, 1992, franco-britânico-vietnamita), filme de Jean-Jacques Annaud, é uma adaptação, feita por Annaud e Gérard Brach, do romance autobiográfico de Marguerite Duras (livro que está na Coleção Folha Grandes Livros no Cinema). O livro é ótimo e o filme não fica atrás. Os comentários serão sobre este, que foi indicado ao Oscar, categoria Melhor Fotografia.

Conta a história de uma adolescente indochinesa (filha de franceses) que mantém relação com um chinês mais velho (quase o dobro da idade dela); como pano de fundo: o período de dominação colonial no sudeste asiático.Tanto a parte histórica quanto a intensa relação do casal é muito envolvente. Para quem gosta de cenas de sexo, o filme é recheado delas, todas muito bem elaboradas, envolventes e intensas. Todavia, é uma cena "cotidiana" (não é o termo melhor, mas é que me vem ao momento) que me chama atenção, e eis aí:



A intensidade transmitida pelas mãos, no entrelaçar dos dedos... suavemente a mão dele, temendo retalhação, procura a dela, que já espera a dele - uma inversão, já que ele passa a ser o garoto e ela a mulher. E a cena continua, mostrando que aquela suavidade é aparente e só inicial, as mãos agora se apertam, revelando um fervilhar interno dos personagens vividos por Jane March e Tony Leung. As mãos transmitem e trocam energia, a química é adoravelmente inevitável.

Ainda quanto ao filme, vale muito a pena assistir ao Making-off e ficar sabendo um pouco dos bastidores, como foram as gravações no Vietnã;  da escolha da moça por anúncio de jornal, ela que nem atriz era; da procura pelo ator, também nada fácil. Eles, os protagonistas, foram ótimos logo nas primeiras gravações, como se já trabalhassem há muito com isso e sempre juntos.




* Não deve ser confundido com outro filme de mesmo título em português, original: The other man (EUA/Reino Unido, 2008), dirigido por Richard Eyre e estrelado por Antonio Bandeiras, Liam Neeson e Laura Linney, cujo filme de bom só tem os sapatos da design (protagonista) e as belas gravações no Lago di Como, Itália. Lago-senha, que inclusive deve ter inspirando alguns amantes.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Os poetas vão, as poesias ficam

Na última quinta, 17/04/2014, morreu o escritor colombiano Gabriel García Márquez. Tive o prazer de ler algumas de suas obras (e as recomendo!), como Cem anos de solidão, lido na época da graduação (obrigada prof. Alamir por me ensinar, talvez mesmo sem intenção, a amar poesia, independentemente de sua forma). O oroboro da família Buendía é magnífico e faz com que queiramos ler mais obras do escritor.


Nas novas leituras, uma com sabor especial, Cheiro de goiaba, que ganhei da minha amiga Kelly, quando a visitei na "capital": Lucas do Rio Verde/MT (sim, amiga, eu fui!! A Lívia Maria não! rs). Ganhei o livro para, segundo a Kelly, melhorar o seu maná (espero ter cumprido a função!!), e ele já está na prateleira dos especiais, pela obra e pela dedicatória que só uma amiga-irmã poderia escrever:


Outros livros de GGM merecem atenção: A incrível e triste história de Cândida Erêndira e sua avó desalmada e também Memórias de minhas putas tristes, memórias que tive o prazer de reler (0u ler, agora na versão original) nos metrôs de Santiago. Em A incrível e triste história de Cândida Erêndira e sua avó desalmada, história desenvolvida a partir de passagem do romance Cem anos de solidão, conta a história de uma avó que culpa a neta pelo incêndio ocorrido na casa onde moravam e para que a menina pague tamanho prejuízo, escraviza a neta, tornando-a uma prostituta. Já em Memórias de minhas putas tristes,  conta a história de um senhor de 90 anos que pretende se presentear com uma noite de amor com uma menina virgem. Dizem que García Márquez se inspirou no livro A casa das belas adormecidas (prêmio Nobel de Literatura de 1968) do japonês Yasunari Kawabata para escrever tal obra. Imperdíveis!!

Apesar do meu carinho pelas obras citadas, a minha paixão é, sem dúvida, O amor nos tempos do cólera. Li certa vez, não me lembro onde (sorry!), que o próprio Garcia-Marquez dizia ser esta a sua obra-prima e não Cem anos de solidão (concordo plenamente!!), por aquela contar a história de amor vivida por seus avós.  O fato de ser uma história de amor verdadeira, a meu ver, só engrandece a obra. O amor é lindo, não é mesmo? E o de Florentino Ariza e Fermina Daza me ganhou. Se isso indica alguma coisa? Talvez seja eu uma romântica. A última? Espero que não.


É isso, como diz outro poeta: "os poetas vão e voltam". Ou não vão, já que estão em sua poesia que fica.


Minha homenagem e agradecimento a García Márquez por sua poesia em prosa

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Ex-balzaquiana (ou crise existencial)

No começo do mês deixei ser balzaquiana, e entrei então em uma nova crise existencial, aiaiia. O que é pior: ser balzaquiana ou deixar de ser???

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O crime do professor de matemática

"Quando o homem atingiu a colina mais alto, os sinos tocavam na cidade embaixo. Viam-se apenas os tetos irregulares das casas. Perto dele estava a única árvore da chapada. O homem estava de pé com um saco pesado na mão.
Olhou para baixo com olhos míopes. Os católicos entravam devagar e miúdos na igreja, e ele procurava ouvir as vozes esparsas das crianças espalhadas na praça. Mas apesar da limpidez da manhã os sons mal alcançavam o planalto. Via também o rio que de cima parecia imóvel, e pensou: é domingo. Viu ao longe a montanha mais alta com as escarpas secas. Não fazia frio mas ele ajeitou o paletó agasalhando-se melhor. Afinal pousou com cuidado o saco no chão. Tirou os óculos talvez para respirar melhor porque, com os óculos na mão, respirou muito fundo. A claridade batia nas lentes que enviaram sinais agudos. Sem os óculos, seus olhos piscaram claros, quase jovens, infamiliares."
LISPECTOR, Clarice. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.