sábado, 16 de fevereiro de 2013

Poesia, Juliana!


Não me falta cadeira
Não me falta sofá
Só falta você sentada na sala
Só falta você estar
(...)
Não me falta o sol da manhã
Só falta você acordar
Pras janelas se abrirem pra mim
E o vento brincar no quintal
Embalando as flores do jardim
Balançando as cores no varal
A casa é sua
Por que não chega agora?
Até o teto tá de ponta-cabeça
Porque você demora
A casa é sua
Por que não chega logo?
Nem o prego aguenta mais
O peso desse relógio
(...)
Não me falta casa
Só falta ela ser um lar
Não me falta o tempo que passa
Só não dá mais para tanto esperar
Para os pássaros voltarem a cantar
E a nuvem desenhar um coração flechado
Para o chão voltar a se deitar
E a chuva batucar no telhado
("A casa é sua", Arnaldo Antunes)
(...)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Anunciação!


E eu que nem pulei o Carnaval, anuncio o fim deste. Começa tudo de novo no país do Carnabol!!!!

"Agora que nós somos dois amantes, cinzas
Agora que o carnaval passou
Agora que nós somos duas partículas
Colombina e Pierrot, samba sou"
("Amantes cinzas", A. Antunes)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

É ou não é?

A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de PiScAdAs. Cada PiScO é um dia. PiScA e mama; PiScA e anda; PiScA e brinca; PiScA e estuda; PiScA e ama; PiScA e cria filhos; PiScA e geme os reumatismos; por fim PiScA a última vez e morre.
__ E depois que morre? - Perguntou o Visconde.
__ Depois que morre, vira hipótese.

Monteiro Lobato


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Licença para uma noite


do poeta e amigo, Walter Zanatta Júnior

LICENÇA PARA UMA NOITE
Nessa noite me permito recordar
quem distante tem o dom de estar presente,
na bruma da saudade vive a me anuviar,
habita o espaço lírico cravado em minha mente.

Essa noite eu ouso dedicar
a quem tanto me inspira mesmo ausente.
Acolho suas palavras na tela a ecoar,
deliro na ternura criativa intensamente.

Essa noite é única, bom lembrar,
pois nada é eterno, nem a vontade da gente.
A chama mais ardente o tempo há de apagar,
 a fúria do acaso  lançará outra semente.

Essa noite me convida a  madrugar,
até que a verdade me desperte brutalmente,
imponha de repente um ser a me aturar,
me impeça de criar meu ser ingenuamente.

Essa noite lentamente irá passar.
Que adule meus sentidos, que me desoriente.
Que crave sua essência, eu hei ruminar
vestígios de uma noite, nada mais, estou ciente.
                                                               

As meias...

Dia nublado, como deve e costuma ser o Dia de Finados. Deposito-lhe flores, quero agradecer-lhe por... já não sei bem o quê, quero agradecer em palavras o que já fizera em atos, estes não percebidos por você por estar demasiadamente ocupado com o que mais gosta. Agradeço-lhe sua presença e ausência, é isto. Tenho saudade sim; acho que isso é bom, pois só sentimos saudade do que foi bom; sinto, principalmente, falta de teus pés aquecendo os meus sempre tão frios, por isso te quis comigo. Se hoje não tenho seus pés, restam-me suas meias (eis meu lado machadiano... vão-se os pés, ficam as meias). Ofereço-lhe flores, as de plástico que não morrem, agradeço-lhe as meias que hoje visto. Não são seus pés, mas já os calçaram. As visto e consigo dormir, as visto e consigo passar a noite, as visto e consigo passar os dias.