terça-feira, 16 de setembro de 2014

¿Quién canta?



Por favor, ayúdame ... Yo quiero saber quién canta la musica? Título de la canción? ¿De qué país? Cualquiera de ustedes puede decirme? 
gracias, Ju.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Mistério?!

Foi mistério e segredo
e muito mais
Foi divino brinquedo
e muito mais


Meu olhar vagabundo
de cachorro vadio
olhava a pintada
e ela estava no cio

E era um cão vagabundo
e uma onça pintada
se amando na praça
como dois animais

(canção "Como dois animais", de Alceu Valença)

domingo, 3 de agosto de 2014

Razão filosófica do chapéu

Mariana! Mariana! Não tem outra coisa com que implicar?
Há uma razão filosófica para se usar um chapéu, minha cara.


"— A escolha do chapéu não é uma ação indiferente, como você pode supor; é regida por um princípio metafísico. Não cuide que quem compra um chapéu exerce uma ação voluntária e livre; a verdade é que obedece a um determinismo obscuro. A ilusão da liberdade existe arraigada nos compradores, e é mantida pelos chapeleiros que, ao verem um freguês ensaiar trinta ou quarenta chapéus, e sair sem comprar nenhum, imaginam que ele está procurando livremente uma combinação elegante. O princípio metafísico é este: —
o chapéu é a integração do homem, um prolongamento da cabeça, um complemento decretado ab eterno*; ninguém o pode trocar sem mutilação. E uma questão profunda que ainda não ocorreu a ninguém. Os sábios têm estudado tudo desde o astro até o verme, ou, para exemplificar bibliograficamente, desde Laplace**... Você nunca leu Laplace? desde Laplace e a Mecânica Celeste até Darwin e o seu curioso livro das Minhocas, e, entretanto, não se lembraram ainda de parar diante do chapéu e estudá-lo por todos os lados. Ninguém advertiu que há uma metafísica do chapéu. Talvez eu escreva uma memória a êste (sic) respeito.
São nove horas e três quartos; não tenho tempo de dizer mais nada; mas você reflita consigo, e verá... Quem sabe? pode ser até que nem mesmo o chapéu seja complemento do homem, mas o homem do chapéu..."

*desde sempre
**Pierre-Simon Laplace (1749-1827), matemático e astrônomo francês.
[fala de Conrado Seabra a sua esposa Mariana, in "Capítulo dos chapéus",  Contos, Machado de Assis (5ªed., São Paulo: Cultrix, 1968, pp. 115-128)]

sábado, 2 de agosto de 2014

Indizível

As  palavras
                   ca
                       em

Se
      e s p a r r a m a m

Não conseguem dar conta

              ton
         tei
             am

                                nam
                          o
                    si
          pul
   im

e não dizem.



[Eu brincando de fazer poema concreto]

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Sobre "O amante", de Annaud

Adorei o filme "O amante"*, apesar de não concordar com o título em português, já que na maior parte das vezes o termo "amante" é mais dado ao sentido de pessoa que mantém relação ilícita com outra; que não é o caso aqui.

"O amante" (L´amant / The lover, 1992, franco-britânico-vietnamita), filme de Jean-Jacques Annaud, é uma adaptação, feita por Annaud e Gérard Brach, do romance autobiográfico de Marguerite Duras (livro que está na Coleção Folha Grandes Livros no Cinema). O livro é ótimo e o filme não fica atrás. Os comentários serão sobre este, que foi indicado ao Oscar, categoria Melhor Fotografia.

Conta a história de uma adolescente indochinesa (filha de franceses) que mantém relação com um chinês mais velho (quase o dobro da idade dela); como pano de fundo: o período de dominação colonial no sudeste asiático.Tanto a parte histórica quanto a intensa relação do casal é muito envolvente. Para quem gosta de cenas de sexo, o filme é recheado delas, todas muito bem elaboradas, envolventes e intensas. Todavia, é uma cena "cotidiana" (não é o termo melhor, mas é que me vem ao momento) que me chama atenção, e eis aí:



A intensidade transmitida pelas mãos, no entrelaçar dos dedos... suavemente a mão dele, temendo retalhação, procura a dela, que já espera a dele - uma inversão, já que ele passa a ser o garoto e ela a mulher. E a cena continua, mostrando que aquela suavidade é aparente e só inicial, as mãos agora se apertam, revelando um fervilhar interno dos personagens vividos por Jane March e Tony Leung. As mãos transmitem e trocam energia, a química é adoravelmente inevitável.

Ainda quanto ao filme, vale muito a pena assistir ao Making-off e ficar sabendo um pouco dos bastidores, como foram as gravações no Vietnã;  da escolha da moça por anúncio de jornal, ela que nem atriz era; da procura pelo ator, também nada fácil. Eles, os protagonistas, foram ótimos logo nas primeiras gravações, como se já trabalhassem há muito com isso e sempre juntos.




* Não deve ser confundido com outro filme de mesmo título em português, original: The other man (EUA/Reino Unido, 2008), dirigido por Richard Eyre e estrelado por Antonio Bandeiras, Liam Neeson e Laura Linney, cujo filme de bom só tem os sapatos da design (protagonista) e as belas gravações no Lago di Como, Itália. Lago-senha, que inclusive deve ter inspirando alguns amantes.